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Direito de Resposta: Isolando Israel Mediante A Linguagem Dos Direitos Humanos



Em uma conferência na Europa, Sa’ad Eddin Ibrahim, o respeitado ativista egípcio de direitos humanos, parou abruptamente no meio de sua apresentação para abraçar o Prof. Irwin Cotler, que havia acabado de chegar. Cotler empenhara-se para libertar Ibrahim da prisão à qual fora condenado em virtude de acusações forjadas — uma das muitas batalhas das quais o ex-ministro da justiça canadense participou, incluindo as travadas a favor de Natan Sharansky e de Nelson Mandela.

Por essa e muitas outras razões, os leitores deveriam adicionar mais do que o costumeiro grão de sal ao ler o artigo de Kenneth Roth, “Não difame o mensageiro”, publicado pelo The Jerusalem Post em 26 de agosto passado. Como Diretor do Human Rights Watch (Observador de Direitos Humanos) desde 1993, as realizações de Roth não chegam sequer perto das do prof. Cotler. Pelo contrário, Roth liderou o processo de politização que provocou a erosão da causa dos direitos humanos universais como força moral.

A finalidade principal do ataque tendencioso de Roth é a de defender a legitimidade do juiz Richard Goldstone, chefe da “missão de apuração de fatos” das Nações Unidas, cujo relatório sobre a guerra de Gaza deste ano será divulgado em breve. Mas em sua admoestação, Roth esqueceu de revelar o seu relacionamento com Goldstone — há muito tempo membro do conselho do HRW. E, sob vários aspectos, a tentativa de caluniar e depreciar os críticos de Goldstone faz parte também dos esforços de Roth para proteger-se e proteger a HRW.

Efetivamente, se houver desconfiança em relação a Goldstone, Roth tem boas razões para preocupar-se. A nomeação de Goldstone foi outro passo previsto na estratégia adotada pelo fórum das ONGs em Durban 2001 com a finalidade de isolar Israel utilizando a linguagem dos direitos humanos. A pesquisa detalhada do Monitor das ONGs mostra que a HRW promoveu essa estratégia expedindo pelo menos 68 pedidos para “investigações independentes” das ações israelenses — incluindo Jenin (2002), Rafah (2004), o incidente da praia de Gaza e a Guerra do Líbano (2006). Roth tentou forjar uma justificativa para fugir à evidência de que elege Israel como principal alvo enquanto deixa de lado a defesa dos direitos humanos no Irã, na África e na Líbia: "Temos que selecionar e escolher -- nossos recursos são finitos".

A Guerra de Gaza deu a Roth a oportunidade para expandir esses esforços, e a HRW trabalhou em conjunto com o Conselho de Direitos Humanos da ONU na criação de uma “investigação independente” chefiada por um de seus membros — o juiz Goldstone. A partir de então, a HRW forneceu aos investigadores e à campanha de mídia concomitante três “relatórios” tendenciosos acusando as forças israelenses de “crimes de guerra”. (Para alegar “equilíbrio’, a HRW também publicou um relatório tardio sobre o Hamas, omitindo o papel do Irã no fornecimento de armas e no treinamento). Em acréscimo ao mandato unilateral (que segundo Goldstone foi revisado pelo Presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU para incluir uma investigação sobre o Hamas), o inquérito sobre Gaza e a HRW estão contaminados pelo apriorismo das pessoas encarregadas de levá-los a cabo.

A Divisão do Oriente Médio da HRW é dirigida por Sarah Leah Whitson, que organizou protestos contra a “brutalidade” israelense quando participava do Comitê Anti-Discriminatório Árabe-Americano, antes de ser contratada por Roth. Na HRW, Whitson continuou a promover boicotes anti-israelenses e em maio de 2009 liderou uma comissão da HRW destinada a levantar fundos na Arábia Saudita, onde denunciou os “grupos de pressão pró-israelense”, que estavam “tentando desacreditar o trabalho da HRW em Israel e em Gaza”, inclusive o seu papel na criação da comissão de inquérito liderada por Goldstone.

Em acréscimo, Joe Stork, o vice de Whitson na HRW, passou mais de 20 anos exercendo as funções de editor da MERIP, uma organização anti-sionista e anti-americana, da qual foi fundador. Depois do ataque de Munique, Stork e seus colegas publicaram um editorial intitulado: “Quem são os verdadeiros terroristas” que denunciava “terroristas israelenses, equipados com jatos e tanques fornecidos pelos EUA” e “sua política de assassinato e destruição contra os palestinos”. (Os autores do artigo acrescentaram uma ressalva assinalando que tais atos não “justificavam” o ataque de Munique). Em 1996, Stork ingressou na HRW.

O viés demonstrado por Whitson e Stork viola o princípio básico da objetividade política requerido para a apuração de fatos relacionados à proteção de direitos humanos, conforme as diretrizes da Associação de Direito Internacional estipuladas em “Londres-Lund”. Similarmente, as nomeações de Goldstone e da Profa. Christine Chinkin para a investigação da ONU em Gaza contradizem essas normas de senso comum. (A impugnação feita pelo Observador da ONU em relação à nomeação de Chinkin cita uma carta assinada por ela em que Israel era acusada de ser a parte agressora e perpetradora de crimes de guerra; a mesma carta “rejeitava categoricamente” o direito de Israel à auto-defesa contra bombardeios com foguetes).

Os relatórios da HRW, assim como os documentos que essa ONG entregou a Goldstone, refletem consistentemente seu viés e sua carência de padrões profissionais. Sob a fachada de “pesquisa de fatos”, o trabalho da Divisão do Oriente Médio consiste em numerosas páginas de “testemunhos oculares” de palestinos, cuidadosamente escolhidos. Esses relatórios misturam alegações palestinas tanto especulativas como plausíveis, que são inverificáveis, com ficção de má qualidade e páginas de “fatos” tecnicamente irrelevantes bem como linguajar jurídico contorcido.

Na última publicação do HRW, da qual Stork é co-autor, que acusava o exército israelense do sórdido crime moral de matar deliberadamente civis palestinos agitando bandeiras brancas, o primeiro incidente baseia-se inteiramente nas alegações da família de Abed Rabbo. Entretanto, as versões ocidentais e árabes mostram que na medida em que os “assessores” palestinos convidavam jornalistas e funcionários da ONG, inclusive “pesquisadores” da HRW, para entrevistas, a história foi ganhando proporções maiores a cada relato.

Em paralelo, os vídeos e outras evidências mostrando claramente os abusos cometidos pelos palestinos, inclusive o uso rotineiro de “escudos humanos” para proteger terroristas e armas, são omitidos porque não se coadunam com as conclusões desejadas. Nenhum tribunal sério poderia aceitar esse testemunho como evidência, ou as publicações como “pesquisa”.

Há dúzias de exemplos similares repetindo as alegações palestinas nas publicações da HRW. Todas as fases desta longa guerra constituem tantas outras oportunidades para promover essa agenda mediante relatórios, conferências de imprensa, cartas e e-mails. Essas denúncias (Roth tem formação de promotor) repetem rotineiramente as pérfidas acusações de “ataques indiscriminados contra civis”, “crimes de guerra” e "punição coletiva". (O artigo sobre “Bandeiras Brancas” da HRW repete a expressão “crimes de guerra’ 15 vezes). Esta obsessão anti-israelense é parte da transformação mais ampla sofrida pela HRW em relação ao seu objetivo original de lutar pela liberdade de prisioneiros políticos em regimes repressivos, numa força ideológica que dirige seus canhões (42 milhões de dólares em 2008) contra democracias so

Escrito por: Gerald Steinberg - Monitor Das ONGs. Publicado: Jerusalem Post. Tradução: Franklin Goldgrub
Publicado no site em: 14/09/2009
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